Lava Jato devolve R$ 1 bi à Petrobras

Na cerimônia de devolução de R$ 1 bilhão aos cofres da Petrobras, realizada nesta quinta-feira (9), em Curitiba, a escolha dos candidatos nas eleições de 2018 foi apontada como uma das principais soluções para que os problemas identificados pela Operação Lava Jato não se repitam.

12 de agosto de 2018 18:09

Na cerimônia de devolução de R$ 1 bilhão aos cofres da Petrobras, realizada nesta quinta-feira (9), em Curitiba, a escolha dos candidatos nas eleições de 2018 foi apontada como uma das principais soluções para que os problemas identificados pela Operação Lava Jato não se repitam.

O tom eleitoral dado ao evento foi capitaneado pelo coordenador da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que afirmou que a sociedade precisa “assumir as rédeas” do combate à corrupção. O evento contou com representantes do Ministério Público Federal, Polícia Federal, Petrobras, Receita Federal, entre outros.

“Cabe aos brasileiros estarem unidos nas eleições de 2018. Sem que a sociedade tome a postura correta, não haverá a troca de rostos corruptos no poder, perpetuando rostos criminosos de que estamos cansados. Esperamos que, em 2019, forme-se um congresso plural por meio da eleição de pessoas de passado limpo, compromisso com a democracia e que apoiem um grande pacote anticorrupção”, diz Dallagnol.

Para tal, Dallagnol sugere que a população adote três critérios no momento de escolher os seus candidatos: passado limpo, compromisso com a democracia e apoio a um pacote de medidas de combate à corrupção.

“Que cada um vote de acordo com a sua preferência partidária. Não existe atalho contra a corrupção. Não adianta flertar contra soluções ditatoriais, a solução se dá por meio da democracia”, avisou.

O valor de R$ 1,034 bilhão  é oriundo de 17 acordos de colaboração premiada e 4 leniências (um modelo de colaboração premiada que envolve empresas). Duas situações somaram a maior parte dos recursos: o acordo com a Keppels Fels resultou em R$ 687,5 milhões, firmado em dezembro de 2017.

Outra parte substancial dos recursos se deve à delação do Zwi Skornick ( R$ 87 milhões), engenheiro detido na 23ª fase da Operação Lava Jato, junto com Mônica Moura e João Santana (responsáveis pelas campanhas políticas presidenciais da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2010 e 2014) e de leniências.

Lobista, Skornick era, de Cingapura. Ele foi condenado em processo junto dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura , que atuaram em campanhas presidenciais do PT.

Skornick foi acusado de participar de um esquema de corrupção envolvendo contratos da empresa Sete Brasil Participações para o fornecimento de sondas para utilização pela Petrobras. O grupo Keppel, segundo a Justiça, pagou propinas no esquema. Parte dos pagamentos foi feita por transferências em contas secretas no exterior e outra parte foi para o PT.

Uma das contas que recebeu quantias era ligada ao casal de marqueteiros. Antes, o dinheiro passava por uma outra conta controlada por Skornicki.

Do total, R$ 259 milhões ainda estão na conta judicial da 13ª Vara Federal de Curitiba, e o restante já retornou, de fato, à estatal.

Desde o início da Operação Lava Jato, uma soma de R$ 2,5 bilhões foi devolvida à Petrobras, o equivalente a 20% do previsto nos acordos de leniência e colaboração firmados em todo o país – que totalizam cerca de R$ 12,3 bilhões.

“Quando se faz acordo com empresas e montantes elevados, a companhia precisa fazer uma programação financeira e os pagamentos podem ser parcelados. Isso explica a diferença entre o que foi recuperado e o montante total”, afirma Dallagnol.

Recursos entram no caixa da Petrobras

O presidente da Petrobras, Ivan de Souza Monteiro, ressaltou que a companhia não se beneficiou dos crimes descobertos pela investigação. De acordo com ele, a estatal está comprometida em receber “cada centavo desviado”.

Os recursos recuperados entram direto no caixa da empresa. “Não temos autoridade para restringir o uso, mas sugerimos que estimule o controle social e mecanismos para evitar a corrupção”, diz Dallagnol.

Segundo a Receita Federal, os malefícios causados pela corrupção também se estendem à sonegação fiscal. De acordo com órgão, as investigações da Lava Jato resultaram em cobranças a pessoas físicas e jurídicas de aproximadamente R$ 17 bilhões. “Há, claramente, uma relação entre corrupção e sonegação fiscal”, diz Gerson D’agord Schaan, coordenador-geral de pesquisa e investigação da Receita Federal.

Fonte: Uol

 

 

ObservatórioSocial de Barreiras

Av. Benedita Silveira, N° 156, sala 318, Centro, Barreiras – BA, CEP: 47800-130


CEP:
Telefone:
E-mail: